3.10.07

Série "Padrão-Ouro"




Como acabou o padrão-ouro: por espontânea vontade de Roosevelt (todos os outros países tiveram processos mais ou menos similares). Nos cursos de economia é assim tipo "evoluiu para", tipo como se fosse uma escolha de mercado.

Por Ordem Executiva (de Roosevelt): “Todas as pessoas são obrigadas a entregar até ao dia 1 de Maio de 1933 todas as moedas de Ouro, todo o Ouro em barra e em Certificados, ao Banco Central. Pela violação da Ordem Executiva, a penalidade criminal é: 10 000 Usd ou 10 anos de prisão, ou ambas.”

Lindo sistema. Muito Espontâneo. Muito Liberal. Muito Conservador.

3 comentários:

Jo�o Martins disse...

Nem uma única divisa no mundo, ao longo de dezenas de séculos sobreviveu a ela própria, mais ainda, nenhuma divisa mundial sobreviveu mais de 1 seculo, exceptuando a libra inglesa que teimosamente se continuou a chamar assim mesmo depois de vários colapsos. Nem uma. Seguindo a velha máxima de que quem não estuda História está condenado a repeti-la, podemos facilmente saber o que nos espera. Nem um único curso de Economia ou Gestão em Portugal perde tempo a estudar a grande depressão de 1929, ou seja as razoes intrinsecas do maior acontecimento puramente económico do seculo XX passam ao lado de quem dirige os destinos das nações.
Mas lá está, sempre o ouro sobreviveu, os homens passam e o ouro fica. Afinal é o único bem no mundo capaz de servir de barómetro de uma economia, e assim é desde há seculos, até mesmo milénios.
Existe uma organização chamada GATA, o Gold Anti Trust Action Comitee que nos avisa desde há anos para o completo logro que é o mercado do ouro mundial. Este comité tem como membros altos ex-responsaveis de bancos centrais e privados. Eles acusam os bancos centrais de estarem a fazer com o ouro o mesmo que fizeram com as moedas nacionais, ou seja, emprestar muito mais ouro do que o que realmente têm. Desde os anos 70, mas sobretudo quando o arqui-inimigo da boa saude economica global, o senhor Alan Greenspan tomou conta do Fed, que se tem assistido a uma luta desenfreada contra o ouro. Este senhor era um dos principais defensores de uma moeda suportada por ouro nos cofres, embora se tenha tornado um acérrimo inimigo desta mesma ideia assim que entrou para o Fed. Desde então fez inumeras declarações em que fala do ouro como um investimento em desuso e expandiu o dolar até niveis nunca vistos com esta bolha de credito que a America está a tentar engolir agora. Isto fez o ouro descer para niveis incrivelmente baixos. Fez tambem os bancos, baseados na relativa estabilidade do seu preço, oferecer o ouro dos seus cofres em leasing ou mesmo vendido. Assim, os clientes que depositavam o seu ouro nos cofres dos bancos não sabiam que o mesmo passava a ser um activo do banco e logo podia ser jogado no mercado internacional. E assim, mantendo o seu preço baixo poderia sempre voltar a comprar o ouro em leasing à medida que os depositantes o reclamassem. O problema é que quando o seu preço sobe poderá não haver liquidez para voltar a comprar o ouro vendido ou emprestado e será impossivel devolve-lo aos clientes legitimos donos. Isto criará uma crise financeira mundial e é por isso que os bancos declararam uma guerra acérrima ao preço do ouro de modo a evitar tal cenário. Quando os bancos forem confrontados com os pedidos de resgate de ouro que não existe o grande publico tomará conta da conta desta conspiração. Se todo o ouro que existe em certificados fosse resgatado como a lei permite e garante, toda o ouro existente à face da Terra bem como a produção total dos proximos 25 anos não chegaria para cobrir os pedidos. Daí a conveniencia do investimento em ouro fisico cujo preço vai disparar para a Lua. Existe “provas” mais que consistentes de relatos de grandes responsaveis no assunto, especialmente do governador do Banco de Inglaterra, que afirma categóricamente estarem os bancos em guerra aberta contra o preço do ouro devido a estas razoes. Há tambem inumeros relatos sombrios que nos afirmam que as reservas em ouro do Fed, do Credit Suisse, do BCE, do Banco de Inglaterra e do Banco Nacional Suiço já praticamente não existem, facto totalmente desconhecido do publico. Esta alhada em que os bancos se meteram já tinha sido feita com as proprias reservas monetárias, daí não ser nada dificil acreditar que tambem será verdade para o ouro. O problema é que com a moeda basta baixar os juros e imprimir mais notas, com o ouro não dá para extraír mais do que o que existe e uma nova mina demora cerca de 10 anos a entrar em funcionamento e já não se descobrem grandes novos filões de ouro há mais de 30 anos. Quando esta historia for uma realidade o preço do ouro irá atingir valores inimaginaveis.
Para terminar quero apenas dizer que o ouro sempre foi um guardador de riqueza. Quando em 1929 o credito bancário estava tao facilitado como hoje em dia, o senhor médio da classe média julgava saber tudo e ia na maré investindo numa bolsa que não parava de subir. Sem razao aparente, não se produzia nada a mais, não havia nenhum avanço tecnologico, nada, simplesmente as acçoes subiam sem parar, muito ao jeito do que se passou no final dos anos 90 com as casas, em que as pessoas achavam que nunca uma casa podia perder valor. E os peritos em economia dos bancos aconselhavam isso mesmo, a pedir credito para investir na bolsa. O mercado caiu 10% na manha de segunda-feira em 1929 e todos entraram em panico. Uns aproveitaram para comprar em baixa e o mercado voltou a subir 8%. Quem não conseguiu vender tudo, depois de ver esta nova subida decidiu não vender ainda. Mas como diz um ditado do mundo financeiro, mesmo um gato morto quando atirado do 10º andar ainda salta umas quantas vezes. Nunca mais o mercado recuperou desse maximo e os creditos precisavam de ser pagos. Alguns bancos ficaram com tudo.
Em Abril de 2006, o Sr Joao Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos afirmou na TSF num programa focado na gestao das finanças pessoais que as pessoas deveriam deixar aos bancos as decisoes sobre onde investir o seu dinheiro e deu como unico exemplo o dolar. Afirmou que este se encontrava muiot baixo e que era uma excelente aposta de investimento. Assim se vê o que aconteceria às pessoas que seguissem o conselho dos bancos. A ruína.

O-Lidador disse...

Em 1929, os EUA seguiam o padrão-ouro (havia uma cotação oficial) e a maioria dos outros países seguiam tb o chamado padrão-ouro de câmbio.
Tal facto não evitou a Grande Depressão.
De facto nenhuma moeda tem valor “intrínseco”, incluindo o ouro.
Tudo depende do mercado, isto é da confiança com que é aceite.
O ouro é um pedaço de mineral que serve para fazer jóias e adornos, tal como outros metais e minerais. Não vale por si, mas pelo facto de as pessoas confiarem nele.
Contudo pode ser produzido às carradas…há países perfeitamente capazes de inundar o mercado.
Se você estiver numa ilha remotacom duas barras de ouro e duas malas cheia de dólares, isso não lhe serve para nada, se os indígenas não lhe deram valor.
Ou seja, para concluir, não há valor intrínseco, nem no ouro nem em nada.
Como dizia Milton Friedman, “não é exequível nem desejável restaurar uma moeda padrão de ouro ou prata”.
A melhor maneira de tornar o dinheiro sólido, é, garantia Friedman ” que as autoridades monetárias mantenham a taxa percentual de crescimento a base monetária dentro de limites fixos”
Ou seja, uma tarefa para a Reserva Federal e para os bancos centrais, mais fácil de levar a cabo com papel-moeda do que com barras de ouro, que podem ser produzidas na Africa do Sul ou na Rússia.
o raciocínio do cn assenta na ficção de que o ouro é um stock invariável.
Não é!

CN disse...

"o raciocínio do cn assenta na ficção de que o ouro é um stock invariável.
Não é!"

Meu caro, é o bem mais estável que é conhecido.

Já viu a variabilidade do papel?

"A melhor maneira de tornar o dinheiro sólido, é, garantia Friedman ” que as autoridades monetárias mantenham a taxa percentual de crescimento a base monetária dentro de limites fixos”"

Eu gosto mesmo muito do libertarianismo de Friedman mas ele é péssimo no seu monetarismo.

Se é isso que ele pretende, devia escolher o ouro.

A sua produção é cerca de 2 a 3% do stock em cada ano.

Não precisa de nenhum burocrata a determinaá-lo.