14.12.07

Crise, qual crise?

Texto escrito a 20 de Novembro

Se fecharmos os olhos com muita força a crise desaparece

A economia do faz-de-conta tem dado os seus últimos suspiros, apenas suportada pela política do faz-de-conta também.
De facto, dia após dia, ouvem-se notícias de enormes empresas financeiras ou afins que passam de declarações dizendo que a crise financeira não lhes diz respeito para declarações onde admitem perdas brutais e praticamente a insolvência, tudo em menos de 2 semanas.
Agora são já as gigantes dos resseguros como a Swiss Re que, 15 dias depois de afirmar categoricamente que a crise actual lhe ia passar ao lado, foi obrigada a reconhecer mais de 1 bilião de prejuízos devido a essa mesma crise.
De facto estamos a notar um padrão nestas atitudes dos outrora imensamente poderosos fundos de investimento e seus líderes que juram a pés juntos nada ter a ver com o caso para poucas semanas depois se demitirem e deixarem à mostra um buraco de biliões.
A situação agravar-se-á com a entrada em vigor de uma nova lei norte-americana que obrigará a mais transparência na contabilidade criativa destas empresas, tornando evidente a exposição destas a produtos financeiros de alto risco e em colapso.
O rácio de exposição a este tipo de produtos é de tal modo grande nas maiores financeiras mundiais que ninguém quer mesmo é saber disso sob o risco de se atirar do primeiro precipício que encontre.
O City Group tem mais de 105% dos seus activos neste barco, a Morgan Stanley mais de 251%, a Goldman Sachs mais de 185% e a Merril Lynch mais de 83%, sendo esta última a única até agora a admitir as perdas com a consequente demissão do seu líder em Novembro.
Todas as outras escondem o facto o mais que podem para tentar evitar o inevitável colapso financeiro que se avizinha. Todas elas correm sérios riscos de falência em breve.
Há menos de um mês, os mais pessimistas economistas do sistema falavam em prejuízos de 200 biliões de dólares, um mês depois já só falam em 400 biliões. Diversos analistas mais atentos estimam que pela Primavera as perdas ultrapassem os mil biliões, um número tão grande que nem nos atrevemos a escrevê-lo.
Juntando a isto as crises inevitáveis do imobiliário inglês, espanhol, francês resultantes do aumento absurdo do preço das casas nestes mercados nos últimos anos, a crise está para ficar e possivelmente vai mesmo ser conhecida como a enorme depressão, em oposição à grande depressão de 1929.
Em Espanha, entre 2003 e 2005 o preço das habitações aumentou 16,1%, ainda mais do que os 10,9% dos EUA. Nuestros hermanos caminham a passos largos para um crash financeiro e imobiliário sem precedentes tendo em conta o nível de endividamento que já não permite alimentar mais esta bolha. França padece do mesmo problema e o Reino Unido é indissociável do que se passa nos EUA.
Tendo tudo isto em conta, antecipamos para os próximos 5 a 6 meses, uma falência de uma empresa global financeira, provavelmente uma das principais do mundo.
Isto desencadeará mais um processo de choque para os mercados financeiros e um problema financeiro cada vez mais irresolúvel para os grandes bancos a operar nos EUA. Será também mais que provável a intervenção estatal americana para tentar minimizar os estragos de tamanha explosão. Deixamos aqui uma nota de alerta nem só os bancos americanos serão afectados mas sim todos os que tiverem grande presença e exposição ao mercado americano, com exemplos europeus como o Deutsche, a UBS, o Barclays, o Santander entre outros.
Assim, recomendamos distância de praticamente todos os investimentos em bolsa, pois o mercado de valores está directamente ligado a esta crise financeira mundial.
Sobretudo recomendamos prudência na leitura dos números oficiais, quer sejam da inflação, do desemprego, do crescimento económico ou de qualquer outro dado relevante que venha de entidades oficiais.
De facto, estes números já não descrevem mais a realidade, mas são “inventados” unicamente para tentar manter uma aparente calma e conter um inevitável colapso sistémico do mundo financeiro.
Este alerta é ainda mais essencial agora pois mesmo os governos admitem que estes seus “cálculos” só podem ser feitos com base num padrão de cálculo com um histórico previsível, com grandes dificuldades para fazer análise em períodos conturbados da economia. Isto dito por “eles”.
Ao lançar estes números “inventados”, os políticos e os líderes da alta finança mundial esperam tentar que a economia se cole a eles de modo a esconder a verdade nua e crua.
Quando se projecta a inflação, por exemplo, dá-se um sinal claro à economia que antecipa e corrige os preços de acordo com essas previsões, ajudando assim a cumprir-se a profecia e a ajustar os preços de acordo com o pretendido.
Esta manipulação dos números é feita por todos os governos de modo a esconder o que mais interessa.Num dos poucos números que realmente traduzem o problema actual com os mercados financeiros, o índice M3 da Reserva Federal, a sua publicação foi suspensa em Março, com a desculpa de não ser de interesse para a economia.

2 comentários:

Vanda disse...

Soube da existência de Ron Paul no Youtube. É pena não poder votar nos EUA. Precisamos de um Ron Paul em Portugal!

Carlos Emanuel P. Sacramento disse...

Precisamos...e cada vez mais.