17.10.07

Série "Internacionalismo é"

Parece que um lider separatista que deseja instituir um regime teocrático vai receber a mais alta condecoração do Congresso Americano.

PS.:A minha simpatia pelo princípio da causa (o direito de secessão) é total e nada tenho a obstar sobre os regimes que são dos outros. Não sei se é possível dizer o mesmo de todos os entusiasmadinhos com o facto dos Estados se meterem até nos assuntos mais delicados dos outros Estados sem perceberem a desordem internacional que isso favorece. Existem causas que devem ser individuais (se é que existem outras). Como esta, a de apoio a Ron Paul.

10 comentários:

abrantes disse...

Ao defendermos relações comerciais e de amizade com Espanha, por exemplo, estaremos também a hostilizar indirectamente certas facções separatistas mais radicais.

Creio que é um dilema dificilmente solúvel.

O ideal é sempre a neutralidade, mas defender causas justas passivamente (uma honra pelo Congresso não é propriamente um acto hostil) é positivo.

A Suiça, nas ocasiões em que se alargou aceitando, também se "imiscuiu" indirectamente. Gerou contentamento nuns (novos aderentes à confederação) e descontentamento noutros (poderes imperiais vizinhos).

CN disse...

Não existem regras absolutas é certo.

Mas a prudência aconselha a que sejam apoios não em nome de Estado.

Que tal o parlamento chinês conceder uma medalha a uma personalidade independentista não violenta?

CN disse...

A tentativa de exercicio de "moral" nas relações de soberania presta-se rápidamente a cair no mais puro exercicio de cinismo realista.

Tipo:

Se apoiamos (em nome do Estado) este, porque não apoiamos aquele e porque é condenamos aquele outro? E o que se passou naquele episódio passado e naquele outro, etc.

abrantes disse...

«A tentativa de exercicio de "moral" nas relações de soberania presta-se rápidamente a cair no mais puro exercicio de cinismo realista.»

Mas isso é inevitável a meu ver. Sendo esse mais um dos inconvenientes do estado moderno: facções políticas (morais) que se disputam o poder e que quando o alcançam o exercem (praticando moral).

O essencial está em apoiar causas justas. Este caso da honra atribuída pelo Congresso até é dos apoios menos condenáveis. É um acto passivo, caro CN.

CN disse...

Justo porque quer ser independente?

Quantos movimentos independententistas existem no mundo?

Os chineses podem condecorar um independentista Basco (que deja contra a violência, suponhamos)?

O parlamento Russo pode condecorar um independentista do Quebec?

QUando um Estado Americano (Vermont?) pedir a secessão (por hip) e entrar em conflito institucional com o Governo Federal deve Socrates condecorar o seu lider?

Não seria "justo"?

abrantes disse...

Querer ser independente é de facto justo em si.

Só me limito a dizer que um estado, ao aceitar relações de amizade com outro, está a aceitar implicitamente um determinado status quo. E isso implica a hostilização com eventuais movimentos independentistas em luta contra esse estado.

Repare: os EUA, ao relacionarem-se com a China, estão correctos. É justo e tem interesse faze-lo. Ao manterem em paralelo relações com líderes separatistas tibetanos, estão a agir com justiça pois estes também representam interesses legítimos e um povo digno de respeito.

Errado seria se os EUA incitassem uns à repressão ou os outros à revolta. Aí deixariam de ser neutrais.

O mero facto de se terem relações internacionais implica forçosamente escolhas. O CN acha que se deve falar apenas com quem domina o status quo. Eu acho que se pode ser um agente de bem e falar com todos sem nunca pretender interferir.

Ter relações oficiais com um povo que provisoriamente não detém poder nem território é defensável. A China faz o seu jogo, é compreensivel. Um estado pretensamente neutral não pode é deixar a sua autonomia posta em causa pela política de outro.

Fazer a apologia da paz e da diplomacia é sempre defensável. Embora lhe conceda que dar uma medalha e fazer discursos faustosos de apoio ao dalai lama possa ser algo mais do que um acto de "diplomacia".

abrantes disse...

Um bom exemplo de neutralidade, a Suiça. Na WWII mantiveram relações de diplomacia com os alemães, com os aliados e respeitaram a nação judaica dentro de portas.

CN disse...

Caro Abrantes

Não é possivel manter relações diplomaticas com um Estado e ao mesmo tempo acarinhar movimentos separatistas nesse pais.

Isso é impossivel.

Objectivamente pode até ser encarado como um acto de guerra.

Se existe um opiniao publica a favor de um acusação esta deve partir da sociedade civil, etc, não em representação do Estado.

Digo isto, sendo talvez aquele que mais longe leva o conceito de "direito de secessão".

CN disse...

"Se existe um opiniao publica a favor de um acusação"

sorry, era

"Se existe um opiniao publica a favor de uma causa"

CN disse...

Acho que o quero transmitir é a "prudência" no uso do "Estado" para expressar "apoios" que consideramos morais sobre "status quos" dos outros.

Os nossos julgamentos morais expressaods através do "Estado" aariscam-se a provocar acontecimentos muito injustos entre "Estados" ou dentro de um determinado "Estado".